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Semana decisiva expõe distância entre proposta da Fenaban e impasse no Saúde Caixa

Índice de 2,57% oferecido pelos bancos continua abaixo da inflação. Na negociação específica da CAIXA, ANEAC acompanha avanços em cláusulas sociais, mas falta de nova proposta para o plano de saúde aumenta pressão na reta final do acordo

A Campanha Salarial dos Bancários de 2026 chegou à última semana de agosto com duas negociações distintas e um mesmo componente de pressão, o tempo.

Na mesa nacional com a Fenaban, os bancos apresentaram nesta terça-feira, 25 de agosto, as primeiras propostas concretas de reajuste depois de dez rodadas de negociação. A oferta começou em 2,06% e, após rejeição dos representantes dos trabalhadores, subiu para 2,57%. Os dois índices foram recusados por ficarem abaixo da inflação.

Horas depois, em outra mesa, a negociação específica entre a CONTEC e a CAIXA avançou em temas relacionados à saúde integral, diversidade, inclusão, acessibilidade e ausências permitidas, mas terminou sem resposta para o assunto de maior tensão entre empregados, aposentados e entidades representativas. A CAIXA não apresentou uma nova proposta para o Saúde Caixa.

É nesse segundo espaço de negociação que a ANEAC mantém sua participação, com foco nas agendas que repercutem sobre arquitetos, engenheiros e administradores de rede da CAIXA, categorias que a Associação representa.

O cenário transforma os próximos dias em uma corrida contra o calendário. O atual aditivo do Saúde Caixa tem validade somente até 31 de agosto, o que reduz a margem para apresentação de uma nova alternativa, análise pelas entidades e construção de um entendimento antes do encerramento da vigência.

Reajuste abaixo da inflação aumenta tensão com a Fenaban

A proposta econômica apresentada pela Fenaban começou em 2,06% para salários e benefícios como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche, auxílio para teletrabalho e auxílio destinado a pessoas com deficiência.

A CONTEC rejeitou o índice ainda na mesa. Mais tarde, os bancos elevaram a oferta para 2,57%, sem conseguir alterar a avaliação das representações dos trabalhadores.

A discussão com a Fenaban é nacional e alcança o conjunto da categoria bancária, inclusive os empregados da CAIXA. Ela não se confunde, porém, com a negociação específica mantida com o banco público, onde são tratados o Acordo Coletivo próprio e questões particulares de seus empregados.

ANEAC acompanha avanços na mesa específica da CAIXA

A nona rodada da negociação específica com a CAIXA seguiu até a noite de terça-feira e produziu avanços em algumas cláusulas sociais.

Entre as mudanças discutidas estão a ampliação das horas destinadas a consultas médicas, a flexibilização das licenças casamento e paternidade, que poderão ser utilizadas em até 180 dias após o fato que originou o direito, e a previsão de até três dias por ano para a realização de exames preventivos relacionados ao câncer e ao HPV.

Também entraram em discussão ações de saúde integral, diversidade, inclusão e acessibilidade. Em outra representação da mesma rodada, foram detalhadas iniciativas de prevenção em saúde mental, doenças cardiometabólicas, problemas osteomusculares e dependências, além de propostas de aprimoramento das políticas voltadas às pessoas com deficiência.

Entenda o que está em jogo

A presença da ANEAC nesse processo não começou agora. A Associação participa da mesa específica desde o início da Campanha Salarial e também integrou a construção da pauta levada à CAIXA pela CONTEC, com contribuições relacionadas ao acordo coletivo, remuneração, segurança jurídica e condições que atingem a vida funcional dos empregados.

A atuação ganha relevância especialmente nas matérias que alcançam diretamente engenheiros, arquitetos e administradores de rede, profissionais inseridos em áreas técnicas estratégicas da instituição e envolvidos na execução de políticas, projetos, sistemas e operações da CAIXA.

Saúde Caixa concentra o maior impasse

Se houve avanços em outras cláusulas, o Saúde Caixa terminou a rodada exatamente onde começou.

A direção do banco informou que está refazendo cálculos e avaliando novas alternativas antes de apresentar outra formulação. Segundo a CONTEC, a própria CAIXA reconheceu o peso das reações às propostas anteriores e da mobilização nacional realizada em 20 de agosto na decisão de rever o modelo.

A falta de uma nova proposta tem peso ainda maior porque não se trata da primeira tentativa frustrada de chegar a um desenho para 2027.

No início de agosto, a CAIXA apresentou um modelo que previa elevar a contribuição dos titulares de 3,5% para 5,5%, aumentar a cobrança dos dependentes e elevar de 7% para 14% o limite de comprometimento da renda familiar. A proposta foi rejeitada.

Na rodada seguinte, em 14 de agosto, surgiu uma alternativa baseada principalmente em cobrança por beneficiário e faixas etárias. O modelo previa piso mínimo de contribuição, teto de comprometimento da renda de 12% e manutenção de 13 mensalidades. O impacto sobre aposentados e a participação da CAIXA no financiamento permaneceram entre os principais pontos de divergência.

É justamente nesse debate que a ANEAC vem procurando acrescentar uma contribuição técnica.

Antes de uma das rodadas com a CAIXA, a Associação apresentou à reunião preparatória da CONTEC um estudo desenvolvido por grupo de trabalho de sua Diretoria. O documento não foi apresentado como proposta da CAIXA nem diretamente ao banco. Foi elaborado para subsidiar a CONTEC na avaliação de alternativas de custeio.

O estudo parte de uma base de mais de 272 mil beneficiários e analisa caminhos para ampliar a arrecadação e distribuir melhor o financiamento sem concentrar os ajustes sobre grupos específicos, particularmente aposentados e usuários mais velhos. Entre os pontos avaliados estão contribuição mínima, revisão do teto familiar, participação dos dependentes, fundo de reserva, mudanças na coparticipação e eliminação da 13ª mensalidade.

Para o presidente da ANEAC, Luciano Macedo, o debate precisa encontrar equilíbrio entre sustentabilidade financeira e capacidade de permanência dos empregados no plano.

“Arquitetos, engenheiros e administradores de rede exercem funções estratégicas dentro da CAIXA e precisam ter segurança também na assistência à saúde. Defendemos um Saúde Caixa sustentável, mas com uma solução justa, razoável e que não comprometa a permanência dos empregados no plano”, afirma.

A questão colocada à mesa, portanto, vai além de encontrar uma fórmula que feche matematicamente as contas. Um aumento excessivo das mensalidades pode estimular a saída de beneficiários, alterar a composição da carteira e produzir novos desequilíbrios, especialmente em um plano baseado em princípios de solidariedade e compartilhamento de riscos entre diferentes gerações.

Calendário passa a pesar sobre a negociação

A proximidade do fim de agosto tornou o calendário um componente central da negociação.

A vigência do atual aditivo do Saúde Caixa termina no domingo, 31 de agosto. Uma nova formulação ainda precisa ser apresentada pela CAIXA, compreendida pelas entidades, submetida à avaliação técnica e política e, se houver condições, transformada em acordo.

É essa combinação entre complexidade e falta de tempo que mantém as entidades em alerta.

A paralisação nacional de 20 de agosto já havia mostrado o grau de insatisfação dos empregados com o ritmo das negociações. A mobilização envolveu também cobranças por uma proposta econômica da Fenaban e respostas mais concretas da CAIXA.

As negociações foram retomadas nesta quarta-feira, 26. Pela manhã começou a 11ª rodada da Campanha Nacional com a Fenaban, ainda sob o impacto da rejeição dos índices de 2,06% e 2,57%. A sequência da agenda prevê também a continuidade das discussões específicas com a CAIXA.

Entenda a evolução das negociações

Para a ANEAC, a prioridade nesta reta final é acompanhar os temas que efetivamente interferem nas condições de trabalho, na valorização e na segurança dos profissionais que representa, sem perder de vista que as decisões tomadas agora terão efeitos muito além desta semana.

No caso do Saúde Caixa, sobretudo, o relógio corre mais rápido que a negociação. E, depois de duas propostas rejeitadas e de uma terceira alternativa que ainda não chegou à mesa, os próximos dias terão de produzir mais do que sinalizações.