Negociações em São Paulo avançam em cláusulas específicas com a CAIXA, mas proposta econômica abaixo da inflação e ausência de nova alternativa para o Saúde Caixa mantêm entidades em alerta.
A semana decisiva da Campanha Salarial 2026 começou sob pressão nas mesas de negociação em São Paulo. De um lado, a discussão nacional com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) avançou para a apresentação das primeiras propostas econômicas. Do outro, na mesa específica com a CAIXA, houve avanços em temas relacionados à diversidade, inclusão e programas de bem-estar, mas permaneceu sem resposta o ponto considerado mais sensível pelos empregados: o futuro do Saúde Caixa.
Na negociação com a Fenaban, realizada nesta terça-feira (25), os bancos apresentaram inicialmente reajuste de 2,06% para salários e benefícios, percentual rejeitado pela representação dos trabalhadores por ficar abaixo da inflação acumulada no período.
Segundo a CONTEC, o índice alcançaria salários, vale-alimentação (VA), vale-refeição (VR), auxílio para teletrabalho, auxílio destinado a pessoas com deficiência (PCD) e auxílio-creche/babá. A proposta também manteria sem alterações o cálculo da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Após a rejeição, as negociações prosseguiram e, no fim da tarde, a Fenaban elevou o percentual para 2,57%. A nova proposta também foi recusada.
Para as entidades representativas, o novo índice continua insuficiente porque não assegura a recomposição integral da inflação e, consequentemente, pode representar redução do poder de compra da categoria. A reivindicação apresentada pela CONTEC na Campanha Salarial prevê a reposição integral do INPC, acrescida de 5% de aumento real, além da valorização de pisos e benefícios.
Avanços na mesa da CAIXA
Depois das discussões com a Fenaban, as negociações seguiram para a mesa específica com a CAIXA e avançaram até a noite.
A rodada concentrou debates em pautas relacionadas à diversidade, inclusão, saúde integral e programas de bem-estar, com avanços em cláusulas que deverão compor o novo Acordo Coletivo de Trabalho.
Entre os pontos discutidos estão a ampliação das ausências abonadas para consultas médicas, a flexibilização das licenças casamento e paternidade e a possibilidade de utilização de dias para realização de exames preventivos relacionados ao câncer e ao HPV. A CAIXA também apresentou medidas relacionadas à saúde integral, diversidade, inclusão e acessibilidade.
Os avanços são considerados importantes pelas entidades e representam evolução em algumas das reivindicações apresentadas ao longo das rodadas de negociação.
O cenário, entretanto, mudou quando a discussão chegou ao tema que hoje concentra uma das maiores preocupações dos empregados da CAIXA.
Saúde Caixa continua sem nova proposta
A negociação terminou sem que a CAIXA apresentasse uma nova proposta para o Saúde Caixa.
De acordo com informações divulgadas pela CONTEC, o banco informou que está refazendo cálculos e avaliando alternativas antes de retornar à mesa com uma nova formulação.
A ausência de uma proposta concreta repercutiu negativamente entre as entidades presentes e mantém elevado o grau de preocupação em relação ao andamento das negociações.
O Saúde Caixa tem sido uma das principais pautas desta campanha e ganhou ainda mais relevância depois das manifestações e paralisações realizadas em diferentes regiões do país em 20 de agosto. Segundo a CONTEC, a própria CAIXA reconheceu que a repercussão da mobilização e as críticas apresentadas às alternativas discutidas anteriormente estão sendo consideradas na reavaliação do modelo.
Para as entidades representativas, o problema agora não está apenas no conteúdo de uma futura proposta, mas também no tempo disponível para que ela seja apresentada, analisada, debatida e submetida às instâncias de decisão dos trabalhadores.
A expectativa é de que qualquer alternativa preserve a sustentabilidade do plano sem impor aos empregados, aposentados e pensionistas uma transferência excessiva de custos.
Nesse contexto, a ausência de uma nova formulação mantém aceso o sinal de alerta.
Negociações entram na reta decisiva
A agenda em São Paulo prossegue ao longo da semana, com novas rodadas tanto na mesa geral com a Fenaban quanto nas negociações específicas com a CAIXA.
A programação divulgada pela CONTEC prevê reuniões durante toda a semana, até sexta-feira (28), em uma tentativa de avançar nos pontos ainda pendentes da Campanha Salarial 2026.
Depois da rejeição dos índices de 2,06% e 2,57%, a expectativa na mesa da Fenaban é pela apresentação de uma proposta econômica que, ao menos, assegure a reposição integral da inflação e permita avançar na discussão sobre ganho real.
Na CAIXA, embora os avanços obtidos nas cláusulas específicas sejam reconhecidos, todas as atenções permanecem voltadas para o Saúde Caixa.
Com o calendário apertado e decisões de grande impacto sobre a vida dos empregados, aposentados e pensionistas, os próximos dias serão determinantes para definir se haverá espaço para a construção de um acordo.
A mobilização e o acompanhamento das negociações, portanto, continuam sendo considerados fundamentais pelas entidades representativas nesta reta final.
