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Encontro Técnico da ANEAC reúne conhecimento, inovação e novas perspectivas sobre o futuro das cidades e da CAIXA

Programação em Recife colocou em diálogo diferentes áreas, gerações e experiências em debates sobre liderança feminina, inteligência artificial, produção técnica, habitação, desenvolvimento urbano e os desafios que já começam a transformar o trabalho de engenheiros, arquitetos e administradores de rede

Recife recebeu, nesta quinta-feira (24), um dia de intensa troca de conhecimento, experiências e perspectivas durante o Encontro Técnico da ANEAC. A programação, que antecede a XXII Assembleia Geral Ordinária da entidade, reuniu profissionais da CAIXA, dirigentes associativos e convidados em torno de temas que atravessam o presente e apontam para o futuro das carreiras representadas pela Associação.

Mais do que uma sequência de palestras, o encontro promoveu diálogo entre diferentes áreas. Mulheres em posições de liderança compartilharam trajetórias e desafios. A inteligência artificial foi discutida a partir de suas possibilidades concretas para o trabalho técnico. Projetos desenvolvidos por profissionais da CAIXA mostraram a capacidade de inovação existente dentro da instituição. E, no encerramento, MRV e VCA colocaram no centro do debate uma questão essencial: que cidades estamos construindo e que experiência de vida queremos proporcionar às pessoas que vão morar nelas?

Ao longo de todo o dia, conhecimento técnico, experiência profissional e interação se encontraram em uma programação marcada também pela participação do público e pela disposição de discutir questões que já impactam diretamente o cotidiano dos profissionais.

Mulheres ocupando espaços e construindo a CAIXA

O painel “Mulheres que constroem a CAIXA” reuniu representantes de diferentes entidades e áreas para compartilhar experiências profissionais, trajetórias de liderança e os desafios enfrentados pelas mulheres ao longo de suas carreiras.

Para Jucélia, diretora institucional da ANEAC, o encontro mostrou que essa discussão não deve se limitar a uma única programação. A avaliação foi de que a participação e a receptividade do público, inclusive dos homens presentes, demonstraram espaço para aprofundar o tema.

O painel também apresentou um novo movimento dentro da própria Associação, com a proposta de construção da ANEAC Mulher, ampliando o espaço de diálogo, representação e desenvolvimento das mulheres que integram as carreiras representadas pela entidade.

A discussão encontra uma CAIXA que também vem institucionalizando compromissos relacionados à presença feminina. A equidade de gênero é um dos eixos prioritários do Programa Diversidade e Inclusão do banco, que mantém, entre outras iniciativas, um programa de mentoria direcionado ao desenvolvimento da liderança feminina. Desde 2025, o Estatuto Social da CAIXA estabelece ainda que pelo menos um terço dos cargos de alta gestão seja ocupado por mulheres. Mais recentemente, a instituição assumiu o compromisso público de alcançar, até 2030, ao menos 36% de mulheres nos cargos de chefia de unidade.

Nesse contexto, o painel realizado pela ANEAC colocou em evidência algo que já pode ser observado dentro da própria instituição: mulheres não estão apenas participando dos projetos. Estão coordenando equipes, tomando decisões, ocupando espaços de liderança e ajudando a definir os caminhos da CAIXA.

Inteligência artificial entre a precisão e a possibilidade de experimentar

Em “Em Tempos de Engenhar IA”, Roberto Ramos levou a inteligência artificial para um terreno particularmente desafiador para engenheiros e arquitetos: a relação entre experimentar, errar, aprender e, ao mesmo tempo, preservar o rigor necessário às decisões técnicas.

Ao apresentar conceitos de inteligência artificial, machine learning, redes neurais, agentes e automação, Roberto procurou desmistificar parte da complexidade que ainda envolve o tema. Uma das provocações foi justamente sobre a forma como profissionais de áreas essencialmente cartesianas podem utilizar a IA.

A mensagem foi clara: é possível errar enquanto se modela, testa, compara e valida. O que não pode ser transferido à máquina é a responsabilidade pela decisão final.

“Não tenham medo de errar”, provocou Roberto ao falar do ambiente de experimentação proporcionado pela inteligência artificial. Na engenharia, ressaltou, o erro na execução pode produzir consequências graves. Antes dela, entretanto, testar diferentes possibilidades pode ser justamente o caminho para encontrar soluções melhores.

A apresentação avançou ainda sobre personalização. Se durante décadas a lógica foi desenvolver produtos em escala e depois encontrar consumidores para eles, a IA abre a possibilidade de utilizar dados e conhecimento para compreender melhor quem utilizará determinado produto ou espaço.

A provocação chegou diretamente à engenharia: será possível projetar empreendimentos cada vez mais adaptados às pessoas que efetivamente vão viver neles?

O conhecimento produzido dentro da CAIXA

Outro momento da programação voltou o olhar para aquilo que os próprios profissionais da CAIXA vêm produzindo.

Projetos reconhecidos pelo Prêmio Melhores do Ano da ANEAC foram apresentados ao público por profissionais que participaram de seu desenvolvimento, permitindo conhecer não apenas os resultados, mas os problemas que deram origem às soluções, os caminhos percorridos pelas equipes e o conhecimento acumulado no processo.

O presidente da ANEAC, Luciano Macedo, destacou a importância de dar visibilidade a essa produção técnica e de criar espaços para que experiências desenvolvidas dentro da instituição possam circular entre profissionais de diferentes regiões e áreas.

O encontro também marcou o lançamento da revista especial do Prêmio Melhores do Ano, que reúne os projetos reconhecidos na edição anterior e registra parte dessa produção. Alguns dos próprios profissionais retratados na publicação acompanharam sua apresentação durante o evento.

Na mesma programação, a ANEAC anunciou a nova edição do prêmio, ampliando o período para preparação e inscrição dos trabalhos. O calendário apresentado prevê inscrições até março de 2027, seguidas pelo processo de seleção dos projetos que avançarão para a etapa final.

Mais do que uma premiação, a proposta reforça uma ideia presente em diferentes momentos do Encontro Técnico: conhecimento produzido dentro da CAIXA ganha ainda mais valor quando é compartilhado.

Engenharia que transforma cidades e também transforma vidas

O painel “A Engenharia que Transforma as Cidades” encerrou o ciclo de debates com uma discussão que começou no empreendimento imobiliário, mas rapidamente avançou para urbanismo, infraestrutura, mobilidade, financiamento, renda, política habitacional e qualidade de vida.

Camila Fiúza apresentou a experiência da MRV com o Cidade Sete Sóis, projeto que reúne soluções como fachadas ativas, comércio integrado, calçadas mais amplas, ciclovias, parques, recuperação ambiental e conexões entre diferentes espaços do bairro.

O exemplo chamou atenção justamente por aplicar a empreendimentos voltados ao mercado habitacional de renda mais baixa elementos urbanos muitas vezes associados a projetos de maior padrão.

Diante de custos cada vez maiores e de uma renda familiar que não acompanha na mesma velocidade o preço dos imóveis, Camila mostrou que produzir qualidade não significa simplesmente adicionar equipamentos a um empreendimento.

Às vezes, explicou, a solução está naquilo que se decide não fazer: não erguer determinado muro, não fechar uma relação com a rua, repensar uma esquina ou criar condições para que o espaço seja mais aberto, agradável e seguro. A síntese apareceu em uma das frases mais marcantes do painel: buscar respostas “no viver e não no construir”.

Jardel Couto apresentou uma visão semelhante a partir da experiência da VCA, empresa que nasceu em Vitória da Conquista e expandiu sua atuação pelo Nordeste.

“O nosso olhar nunca pode ser o olhar do que já está pronto. Sempre tem que ser o olhar do que vai ser construído”, afirmou.

A VCA apresentou a ideia de pensar o imóvel a partir do comportamento e das expectativas das famílias, inclusive diante de uma realidade em que as unidades tendem a ficar menores para continuar cabendo no orçamento. Nesse cenário, o desafio passa a ser preservar qualidade, espaços de convivência, serviços e experiências mesmo quando a área privativa diminui.

É exatamente aí que o debate ganhou uma dimensão humana. A habitação popular não foi discutida apenas como quantidade de casas produzidas, mas como cidade, pertencimento e dignidade. Morar envolve caminhar por uma calçada acessível, encontrar uma praça, ter comércio próximo, conviver com áreas verdes, utilizar espaços de lazer e conseguir estabelecer uma relação positiva com o lugar onde se vive.

O painel avançou também para uma das questões mais difíceis do mercado habitacional brasileiro: construir em regiões onde a própria infraestrutura urbana ainda precisa ser criada.

Representantes da CAIXA, da ANEAC e das empresas discutiram o financiamento de infraestrutura, as contrapartidas exigidas pelos municípios, a avaliação de terrenos em áreas ainda não consolidadas e o desafio de tornar economicamente viáveis projetos que precisam antecipar parte da cidade que ainda não existe.

O debate chegou ainda à população de menor renda. Helena Riscala, diretora secretária da ANEAC, ressaltou o papel das políticas públicas justamente onde o mercado e o financiamento convencional deixam de oferecer resposta suficiente. Outros participantes discutiram programas habitacionais, subsídios e a necessidade de encontrar modelos capazes de atender famílias que hoje permanecem fora do mercado formal de habitação.

Não houve uma resposta simples, e talvez esse tenha sido um dos méritos do encontro. O painel colocou à mesma mesa quem projeta, quem constrói, quem financia, quem avalia e quem formula e executa políticas habitacionais.

Um dia para compartilhar conhecimento e ampliar perspectivas

Ao final do Encontro Técnico, ficou uma imagem bastante diferente de uma programação construída apenas em torno de palestras.

O que se viu em Recife foi a circulação de experiências entre profissionais, empresas, entidades e diferentes áreas da CAIXA. Da liderança feminina à inteligência artificial. Dos projetos desenvolvidos dentro do banco ao desafio de construir moradias acessíveis sem abandonar qualidade urbana. Da memória profissional às perguntas sobre aquilo que ainda precisa ser criado.

Foi um dia para falar de tecnologia, cidade, carreira e inovação, mas principalmente para aproximar pessoas que, por caminhos diferentes, participam da construção da CAIXA e das transformações que ela ajuda a promover em todo o país.

E esse conhecimento compartilhado abre caminho para a próxima etapa do encontro. Nos dias 25 e 26, Recife recebe a XXII Assembleia Geral Ordinária da ANEAC, quando o diálogo se transforma também em propostas, deliberações e decisões sobre os próximos passos da Associação.